sexta-feira, 7 de abril de 2017

Chegou o tempo de calar?


Para tudo há uma ocasião certa (Ec 3.1), até mesmo para calar (v. 7).

Nesse texto, destinado principalmente aos jovens, gostaria de destacar um momento ou fase em que precisamos nos calar. Essa fase vem quando começamos nossa jornada no conhecimento teológico, quando estamos fascinados com a beleza da doutrina cristã. E não falo de uma má doutrina, mas de uma sã doutrina, mesmo.

Quando somos movidos pela vaidade

Nessa etapa inicial de nosso crescimento do conhecimento das verdades bíblicas somos facilmente tentados pela vaidade  e frequentemente cedemos. Por que isso acontece? "O principal motivo disso é que em nós, seres humanos, verdade e amor raramente andam juntos" [1], afirmou Helmut Thielicke (1908-1986) em uma aula inaugural para seus alunos de teologia.

Eu sei, os outros não sabem. Eu conheço, os outros não conhecem. Esse é o pensamento que pode predominar em nosso íntimo, se insistirmos em ser treinados na verdade mas não no amor. Isso gerará um orgulho, um senso de superioridade, que nos fará olhar com desprezo para aqueles que não possuem o conhecimento que possuímos. Quando isso ocorre, começamos a nos envolver em discussões e debates simplesmente pelo prazer de derrotar o oponente e exibir nosso conhecimento "altamente superior". Talvez aquele com quem conversamos nem queira um debate, mas transformamos a conversa em um, porque estamos sendo movidos pela vaidade. E nossa à vaidade chamaremos encantadoramente de "zelo pela verdade de Deus".

Joshua Harris conta sobre o que viveu quando passou por essa fase:
...meu coração não estava se alimentando somente da verdade; ele também se alimentava de um senso de superioridade. Eu não tinha somente a verdade. Tinha a verdade que faltava a outras pessoas. Não estava somente olhando para o alto e contemplando a glória de Deus. Estava olhando para baixo com desprezo pelos outros. [2]
Sem percebermos, estamos agindo como o fariseu da parábola de Lucas 18.9-14, estamos orando semelhante a ele: sentimo-nos melhores por ser e possuir o que o outro não é e nem possui. Talvez nossa oração soasse como algo parecido com: "Graças te dou porque não sou ignorante como os outros homens, pois eles não conhecem os credos, os catecismos... nem mesmo sabem usar as ferramentas hermenêuticas. Muitos deles vivem apenas de assistir pregações rasas de seus pastores despreparados. Porém tu me agraciaste com o melhor da teologia e me livraste das falsas ideias que muitos desses hereges têm abraçado....".

Thielicke aponta a gravidade dessa atitude ao nomeá-la como uma doença espiritual  a patologia dos teólogos  que pode atingir não apenas os jovens teólogos, mas até mesmo aqueles que já foram ordenados pastores [3]. É muito grave porque o amor está ausente, quando sabemos que a verdade teológica envolve o amor de Deus. E o amor contraria o orgulho, contraria a atitude de possuir, pois o amor é altruísta, o amor abre mão, o amor dá.

Se formos acometidos pela patologia dos teólogos, é prudente calarmos. Ao falar, vamos ferir; ao ganhar a discussão, vamos perder o nosso próximo. "Como porta-vozes de Cristo, nosso objetivo é atingir o coração", disse Dallas Willard [4]. Se o nosso objetivo é apenas ganhar a discussão, não ganharemos o coração. Não estaremos cumprindo nosso objetivo como porta-vozes do Senhor Jesus.

Esse calar não seria simplesmente parar de falar de Cristo ou parar de evangelizar. Não é isso. Esse calar que proponho significa reconhecer que podemos não estar prontos para entrar em determinadas discussões. Significa também reconhecer que há discussões que não valem a pena serem iniciadas. Calar-se pode ser até mesmo deixar de usar conceitos e termos teológicos quando eles não são necessários. 

Entretanto, calar-se não é suficiente: é necessário ser tratado. Seguir as prescrições do Senhor resultará em um coração que transborda seu amor e humildade. Harris conta que seu tratamento não foi fácil:
...Deus corrigiu minha atitude pacientemente. Hebreus 12.5-11 diz que Deus, nosso Pai, nos disciplina porque nos ama. Ele envia circunstâncias, até mesmo a dor à nossa vida para tirar de nossas mãos "tudo que nos impede de prosseguir" e o "pecado que nos assedia" (Hb 12.1). Eu era arrogante e me sentia superior. Achava que minha verdade e minhas práticas eram melhores do que as de outras pessoas. E Deus usou algumas circunstâncias dolorosas para me humilhar. Ele me rebaixou vários níveis em minha própria avaliação.
Sabe de uma coisa? Ser humilhado dessa maneira foi a melhor coisa que me aconteceu. [5]
Não foi fácil, mas valeu a pena. Ele continua:
Hoje tenho novas formas de ver a graça em outras denominações e ministérios. Posso aprender mais facilmente com outras pessoas, em vez de sentir a necessidade de ficar na defensiva, mostrando por que estou mais certo do que elas. E estou mais pronto para oferecer graça e compreensão àqueles que, assim como eu, ainda estão no caminho.
Quando tivermos sido tratados —  o pai sabe como lidar com cada filho , saberemos não apenas o momento de falar e calar, mas também como falar. Nossas palavras serão um reflexo de um coração amoroso e a humilde. Além disso, saberemos ouvir. Ouvir o outro e reconhecer que podemos aprender com ele. Não será uma fala fingida, nem fingiremos estar ouvindo.

Quando o crescimento espiritual não acompanha o intelectual

Grandes teólogos e líderes da igreja não lidaram com problemas teológicos e doutrinários levianamente. Eles "dedicaram enorme esforço espiritual a tais questões, e por trás disso tudo estão experiências espirituais concretas" [6]. Thielicke diz que "o estudo de Teologia muitas vezes produz crianças crescidas cujos órgãos internos ainda não acompanharam o crescimento externo. Isso é característico da adolescência" [7]. 

Thielicke quer dizer que aquilo que o jovem teólogo apreende intelectualmente sobre uma área de estudos muitas vezes não acompanha o seu crescimento espiritual nessa área. Em que isso implica? O jovem pode elaborar uma pregação impecável sobre Lutero, e ainda assim não ser capaz de conhecer aquilo que está pregando. Sua experiência é meramente conceitual. Ele tem uma percepção daquilo que Lutero adquiriu por experiência própria. Ele assume uma identificação ilegítima com Lutero ou qualquer outro teólogo. Há a ilusão de que o conhecimento intelectual consiste em experiência e fé genuínas.

Essa fase não se trata de uma doença espiritual, é apenas uma fase de crescimento. É preciso apenas esperar, amadurecer. Enquanto isso não acontece: silêncio. O conselho de Thielicke é o seguinte:
É um erro colocar à frente da igreja para ensinar alguém que acaba de entrar nesse estágio. Ele já passou da fase de inocência que, como todo jovem, deve ter vivido. Mas ainda não atingiu aquela maturidade em que será capaz de absorver em sua própria vida e reproduzir com a vitalidade de uma fé pessoal as coisas que compreende intelectualmente e que lhe são acessíveis pela reflexão. Precisamos ter paciência e esperar. Por essas razões, não permito sermões de jovens teólogos do primeiro semestre, embrulhados em suas togas como em fraldas. É preciso saber ficar calado. No período formativo na vida do estudante de Teologia ele também não prega. [8]
Conclusão

Quando precisamos nos calar, nem sempre é fácil enxergar isso. Para percebermos essas ocasiões, em primeiro lugar, eu diria que a autoanálise é importante: chegar ao fim do dia e perguntar a si mesmo se suas palavras foram movidas por amor e compaixão; questionar a si mesmo se sua experiência espiritual acompanha a intelectual. 

Em segundo lugar, não pare na autoanálise. Nós, igreja, somos um corpo com muitos membros. Acompanhe cristãos mais maduros e peça para que eles lhe ajudem a enxergar como tem sido suas atitudes, se elas têm sido reflexo de um coração humilde. Peça para que te ajudem a experimentar aquilo você apenas entende com o intelecto.

O tempo de calar poderá parecer incômodo, muitas vezes, mas ele passa, pois chegará o tempo de falar.

Referências

[1] THIELICKE, Helmut. Recomendações aos jovens teólogos e pastores. São Paulo: Vida Nova, 2014. p. 33.

[2] HARRIS, Joshua. Ortodoxia Humilde. São Paulo: Vida Nova, 2013. p. 66.

[3] THIELICKE, Helmut. op. cit., p. 35.

[4] WILLARD, Dallas. Vivendo na presença de Cristo. São Paulo: Editora Vida, 2016.

[5] HARRIS, Joshua. op. cit., p. 67

[6] THIELICKE, Helmut. op. cit., p. 24.

[7] Ibdem, p. 26.

[8] Ibdem, p. 27.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

5 maneiras de arruinar um relacionamento de namoro perfeitamente bom – Tim Challies



Por Tim Challies

Em algum lugar ao longo do caminho, o namoro se tornou difícil demais. Deve ter havido um tempo em que ele foi fácil – as pessoas sabiam o que esperar dele e como agir (mesmo se frequentemente elas só seguiam em frente e escolhiam não agir). Entretanto, hoje eu falo com uma sucessão sem fim de jovens que estão presos entre namoro e corte e algum estranho híbrido dos dois. O namoro se tornou a coisa mais difícil do mundo, provavelmente porque elas obtiveram um milhão de livros e páginas da web dizendo a elas o que fazer. Elas simplesmente não podem fazer isso – elas têm que fazer isso pelo livro. E ao longo do caminho elas estão arruinando seus relacionamentos de namoro.

Aqui estão algumas maneiras pelas quais eu tenho visto as pessoas arruinarem o que poderia ter sido algo belo.

Elas começam a fazer sexo. A primeira e mais comum maneira de arruinar um perfeitamente bom relacionamento de namoro é adicionando sexo à mistura. Sexo é para o casamento – você sabe disso. Deus criou o sexo para o casamento, não para o namoro. Deus criou o sexo para selar e celebrar o relacionamento do casamento, não para servir como uma parte de descoberta dele. Relacionamentos de namoro simplesmente não tem a seriedade, o nível de compromisso, ou a aprovação divina para incluir o sexo. Então não arruíne seu relacionamento ao adicionar mesmo que apenas um pouco de sexualidade. Haverá muito tempo para muito disso depois. Você não vai se arrepender de esperar.

Elas param de se divertir. Namoro não é tempo para sexo, mas é tempo para diversão. É tempo para simplesmente aproveitar passar o tempo com outra pessoa, para aprender quem a outra pessoa é, para aprender o que faz a outra pessoa fazer agir de tal e tal maneira. Isso pode ser alcançado com uma consideração supercuidadosa: sente-se e responda minha lista de perguntas; vamos ler 6 livros sobre casamento juntos. Mas isso pode ser melhor alcançado no contexto de serviço (encontrem um lugar para servir juntos!), diversão (encontrem algo que vocês dois gostam de fazer e façam!), e informalidade (você não precisa planejar absolutamente tudo!). Uma vez que você tira o sexo do contexto, você está livre para se divertir com a outra pessoa. No contexto dessa diversão vocês aprenderão quem ele ou ela é, você vai aprender o que ele ou ela valoriza, você vai aprender se vocês dois são compatíveis ou não. Não perca a diversão!

Elas sucumbem à introspecção mórbida. Em seguida está a introspecção mórbida. Agora, obviamente o namoro é um bom tempo para introspecção. É um bom tempo para olhar para dentro de si e se perguntar se você está realmente preparado para ser um marido ou uma esposa, e pronto para se comprometer completamente a outra pessoa. Muito bem. Mas o que eu vejo tão frequentemente é o nível paralisante de introspecção que dirige uma pessoa ao desespero. O simples fato é que nenhum de nós está plenamente qualificado para ser um marido ou uma esposa. Você nunca será digno da honra de ter o comprometimento da vida de uma pessoa a você. Nenhum de nós é aquele que está no topo das outras 7 bilhões de pessoas do planeta. Ainda assim, a maravilha do casamento é que um homem confuso e pecador, na verdade, pode se casar com uma mulher confusa e pecadora e, de alguma maneira, construir uma bela e duradoura relação que brilha um holofote voltado para Deus e seu Evangelho. Se você esperar até que seja digno do casamento, você nunca vai se casar. Se você esperar até que esteja perfeitamente adequado, você vai esperar para sempre. Você não pode esperar até que esteja completamente maduro antes de casar; algumas vezes você precisa se casar para realmente amadurecer.

Elas têm expectativas fantasiosas. Se as pessoas tendem à paralisia quando elas olham para o interior, elas igualmente tendem à paralisia quando elas olham para um cônjuge em potencial. Eu vejo muitas pessoas que têm expectativas fantasiosas da pessoa que elas poderiam escolher como um(a) esposo(a). Sabe de uma coisa? Ela não é perfeita. Ela não é a melhor, ou mais piedosa ou mais bela pessoa do planeta. Mas quem você pensa que é para merecer tudo isso, ou por que você precisaria de tudo isso? Quem é você para pensar “Eu mereço melhor que isso”? E aquele cara, ele não vai ser completamente gentil e doce e altruísta o tempo todo. Mas, de novo, quem é você para merecer um homem perfeito? Todos nós nos casamos sendo pecadores. Todos nós casamos com pecadores. Embora você deva esperar muito do seu futuro cônjuge, é injusto esperar perfeição.

Elas vivem com medo. Se nós procurarmos uma linha comum em todas essas outras maneiras de arruinar um perfeitamente bom relacionamento de namoro, eu acho que nós chegamos ao medo. Muitas pessoas estão cheias de medo. Elas tomam as decisões mais importantes por medo. Mas o namoro é um tempo muito bom para lembrar que nós servimos a um Deus que é soberano e implacavelmente comprometido com o nosso bem. Suas instruções para o casamento são básicas: case-se com um cristão, vivam e morram um pelo outro, e permaneçam casados por toda a vida. Ele não estabelece a longa lista de critérios que você vai encontrar em todos esses livros. Ele não descreve a técnica ou a metodologia. Ele só nos fala do bem e da glória do casamento e espera que aqueles que desejam casar irão compreender como fazê-lo acontecer. E então, de um jeito ou de outro, através de alegrias e tribulações, ele derrama suas bênçãos.



*Fiz o que pude para traduzir perfeitamente, mas sei que há alguns errinhos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O casamento deveria se limitar a um homem e uma mulher?


O casamento deveria se limitar a um homem e uma mulher?

Visite:
http://hazteoir.org/
https://nationformarriage.org/
http://marcoantonios.blogspot.com.br/

Links úteis:

Homossexual defende preservação do casamento natural:
http://ohomossexualismo.blogspot.pt/2012/02/homossexual-defende-preservacao-do.html

De que forma é que o "casamento" homossexual afecta toda a sociedade?:
http://ohomossexualismo.blogspot.com.br/2014/06/de-que-forma-e-que-o-casamento.html

Autoridades admitem que ambiente homossexual não é bom para o desenvolvimento das crianças:
http://ohomossexualismo.blogspot.pt/2012/07/autoridades-admitem-que-ambiente.html

Justiça condena estúdio fotográfico por discriminação após recusa de fotografar cerimônia gay:
http://noticias.gospelmais.com.br/justica-condena-estudio-fotografico-discriminacao-fotografar-cerimonia-gay-37540.html

Consultor cristão é demitido de banco por escrever livro contra o casamento gay:
http://noticias.gospelprime.com.br/consultor-cristao-e-demitido-de-banco-por-escrever-livro-contra-o-casamento-gay/

Criança de 14 anos recebe ameaças de morte por defender o casamento natural:
http://ohomossexualismo.blogspot.pt/2012/02/crianca-de-14-anos-recebe-ameacas-de.html

domingo, 8 de setembro de 2013

Papai, o que é “aborto”?



Crianças são bem atentas e cheias de curiosidade. Enquanto os adultos conversam, muitas vezes elas estão tentando entender o que eles estão falando, aprendendo palavras novas, etc. Considere um garoto que ouve falar sobre “aborto” e resolve perguntar ao pai acerca do significado da palavra:

— Papai, o que é “aborto”?

O pai, um pouco surpreso, respondeu:

— Filho, o aborto acontece quando o bebê está na barriga da mamãe e ela não quer mais ele.

O garoto, achando isso muito estranho, questionou:

— Que mãe é essa, que não quer o filho? E o que ela faz com ele?

— Ela vai a um hospital ou clínica...

Interrompendo o pai, o garoto perguntou:

— A mulher “faz aborto” quando tá doente? 

— Não, filho, geralmente ela não está doente. Eu vou explicar melhor: Lembra que eu disse que toda criança passa nove meses na barriga da mamãe antes de nascer e chorar pela primeira vez?

— Lembro.

— Nesse tempo que ele passa na barriga da mamãe, ele pode ir crescendo e se desenvolvendo enquanto está bem protegido. Quando a mulher comete um aborto, ela não deixa ele se desenvolver o tempo necessário, e tira ele da barriga, antes de conseguir chorar pela primeira vez.

— O médico tira ele?

— Sim, filho.

— E pra onde ele leva a criancinha?

— Na verdade, filho, ela não sai mais do hospital.

O garoto, sem entender muito, continuou:

— Ela não sai do hospital? Mas no hospital nem pode gritar! Como é que ela vai brincar? Ainda bem que a mamãe não “fez aborto”, senão eu não ia poder ir à escola, nem à praia, e nem ia poder fazer barulho brincando...

Meio desconsertado, o pai apenas concordou:

— Realmente, filho.

Por fim, a criança confessou:

— E eu pensava que aborto tinha a ver com guerra!

— Por que, filho? — Disse o pai, sem compreender o que o filho quis dizer.

— Eu vi um desenho na televisão em que o “capitão medroso” dizia: “abortar a missão”. Então os soldados dele tinham que voltar.

— Filho, o aborto tem tudo a ver com isso. Da mesma maneira que o soldado não pode prosseguir para a batalha porque o comandante já pensa que vai perder, a mãe não deixa a criança prosseguir, porque pensa que vai fracassar. O papai e a mamãe deixamos você prosseguir. Por isso você pode me abraçar agora, meu garoto.


Esse diálogo é fictício, mas creio que ilustra bem a reação de quem reconhece que, se tivesse cometido um aborto, estaria tirando o direito de viver de um ser humano, talvez o do próprio filho. Diga não ao aborto! Todo ser humano tem direito a vida.

Marco Antonio da Silva Filho

domingo, 11 de agosto de 2013

A história de Judas é contraditória?

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Um amigo pediu que eu oferecesse minha opinião sobre o texto "Traição de Judas é mais uma história contraditória da Bíblia". O texto ia ficar muito extenso, então resolvi postar aqui.

O texto original está seguido por meus comentários em negrito:

"Pelos relatos bíblicos, Jesus veio ao mundo para ser crucificado de modo a salvar a humanidade.
Outro que já nasceu condenado — só que para toda a eternidade — foi Judas, que delatou Jesus às autoridades judaicas."


É certo que Jesus sabia que Judas o trairia, mesmo antes de chamá-lo, contudo, o próprio Judas escolheu trair a Cristo.

"A Bíblia é confusa sobre o que levou Judas a dar o beijo da traição em Jesus. Em Marcos, o motivo seria a cobiça. Mateus concorda com Marcos, mas Lucas afirma que Judas foi influenciado por Satanás. Para João, a causa da traição foi a propensão de Judas para o roubo."

Não há confusão alguma. Não se pode roubar por cobiça? A cobiça que o fazia roubar o levou a vender Jesus. Isso só mostra que Judas não era verdadeiramente salvo, e, dessa forma, susceptível de ser influenciado por Satanás.

"Talvez — sempre de acordo com a Bíblia — Jesus tenha recompensado Judas pelo seu bom desempenho no papel de traidor. Se Judas tivesse recusado o seu destino, outra pessoa possivelmente não teria se saído tão bem, e Jesus poderia não ter êxito no papel de mártir da salvação da humanidade."

Blá, blá, blá... Como assim “sempre de acordo com a Bíblia”?! Apenas suposições tolas. Judas amou mais ao dinheiro que a Jesus. Não é à toa que o amor ao dinheiro seja considerado a raiz de todo mal.

"Quando Paulo escreveu que Jesus apareceu "para os 12" depois de sua ressurreição, a quem ele poderia ter tido em mente não se o Judas? O que Paulo disse não soa como se Judas tivesse sido punido nesta ou na próxima vida.

Já em Mateus 19:28, Jesus afirma que todos os 12 discípulos se sentariam em tronos para julgar as 12 tribos de Israel. Judas era, obviamente, um deles."


Paulo usa um termo tradicional para se referir ao primeiro grupo de apóstolos, “os doze”. Também é preciso lembrar que Atos 1 relata que Matias foi escolhido para ficar no lugar de Judas, junto com os outros 11 apóstolos.


"O pagamento de “trinta moedas de prata” pela traição é outra inconsistência da história mal contada sobre Judas porque naquela época esse tipo de dinheiro já tinha deixado de ser usado havia dois séculos."


Falso! Assista a entrevista com o arqueólogo Rodrigo Silva, na qual ele apresenta algumas das moedas utilizadas no tempo de Cristo. Link: http://youtu.be/TtkmHXmBeMU


"Mateus 27:5 afirma que Judas jogou fora as “moedas de prata” e se afastou dos sacerdotes para se enforcar. Mas como se Atos 1:18 informa que ele comprou “um campo”, virou fazendeiro? Para aumentar ainda mais a inconsistência, em Marcos, Lucas e João não há menção das 30 moedas."



Por que não continua a leitura? Mt 27.6,7: 
“E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue. E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros”.
Foram os sacerdotes que compraram o campo. Como o dinheiro pertencia legalmente a Judas, é provável que o terreno tenha sido adquirido no nome dele.


"Os relatos sobre a morte de Judas também contribuem para reforçar as incongruências bíblicas.

Em Mateus 27:5, Judas se enforca. Mas em Atos 1:18, após comprar umas terras, as suas entranhas se arrebentam, sem que haja uma explicação para isso. Estaria Judas doente ou foi um castigo de Deus por ele ter feito algo que já era seu destino traçado pelo próprio divino?"


Sobre essa aparente contradição, Norman Geisler e Thomas Howe explicam:

“Esses relatos não são contraditórios, mas mutuamente complementares. Judas enforcou-se assim como Mateus afirma que ele fez. O relato de Atos apenas acrescenta que Judas caiu, e o seu corpo rompeu-se pelo meio, e suas entranhas se derramaram. Isso é exatamente o que seria de se esperar que acontecesse com quem se enforcasse numa árvore sobre um penhasco de rochas pontudas e sobre ela caísse.”



"Em Marco, Lucas e João não há menção ao suicídio do traidor, apesar da importância desse evento. A história de Judas não faz sentido, não tem lógica, nunca se fecha."


Isso é irrelevante. Há acontecimentos que podem ser considerados mais importantes que são citados apenas por um dos evangelhos, como a ressurreição de santos (Mt 27.52)


"De qualquer forma, vale a indagação: já que Judas não poderia ter outro destino senão o da traição de Jesus, ele não deveria ser elogiado em vez de ir para o inferno? Se sim, a conclusão é de que os cristãos são ingratos."


Acerca da escolha de Judas, já falei anteriormente. Jesus declara: “Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido” (Mt 26.24).

Com os devidos esclarecimentos, percebe-se que escrever um texto como esse é fruto de profunda ignorância ou descarada desonestidade.

Marco Antonio da Silva Filho